1. DEIXEI de ser sócio do Rio Branco há muitos anos. Frequentei o clube, intensamente, social e esportivamente, dos 5 aos 30 anos de idade, mais ou menos. Por ele joguei hóquei, nadei, fui goleiro de futsal. Meu pai, Robertinho Jensen, foi diretor, secretário geral da diretoria vitoriosa do presidente Guilherme Streicher Junior. Foi meu pai quem criou o nome da chapa de sucesso “O Tigre Voltará” lá na década de 70.

 

  1. VÁRIOS motivos me levaram a devolver a tradicional carteirinha. Alguns engraçados, outros sérios. Por conta da profissão de jornalista, às vezes criticava publicamente a Diretoria e o Conselho Deliberativo, o que me rendeu inimizades e dor de cabeça.

 

  1. CERTA vez, disse em jornal e rádio que alguns conselheiros dormiam nas reuniões. Isso me rendeu uma cartinha que recebi pelo Correio. Nela, o Conselho do Rio Branco me informava que eu passava a ser “persona non grata” para a instituição.

 

  1. MOSTREI a carta ao saudoso amigo Diógenes Gobbo e ele, irônico como ninguém, me deu uma sugestão e eu acatei: piquei a carta e mandei de volta ao Conselho Deliberativo.

 

  1. EM outra oportunidade, quando o time estava mal no campeonato, publiquei que a diretoria da época agia como um paquiderme. Meu Deus, que rolo! O então cartola Gerson Silva, o Bitchão, foi o que mais ficou bravo.

 

  1. TIVE ainda uma desavença com o saudoso Edson Bassete, o Chacrinha, que era o diretor da Sede Náutica. Eu estava com a mensalidade em dia e tinha o recibo de pagamento comigo. Porém, ele parou um jogo no minicampo, determinou que eu saísse da peleja porque a carteirinha não estava na mesa do representante, tinha ficado no carro. Pensa numa discussão pesada!

 

  1. CERTA vez tive que sair do Estádio Décio Vitta no camburão da Polícia Militar, junto com o trio de arbitragem, porque a torcida se revoltou numa derrota. E alguns torcedores, como os também saudosos João Larose e Jacó Amádio, me elegeram como culpado porque tinha feito muitas críticas ao time e à diretoria naquela semana.

 

  1. ENFIM, tudo isso, hoje, faz parte do folclore de uma relação de paixão que sempre tive com a instituição Rio Branco Esporte Clube. Por conta da minha profissão, muitas vezes estas emoções se misturaram.

 

  1. TODAS essas pessoas citadas eu tenho na minha lembrança como gente querida, que também amava o Tigre. Não guardo nada de ruim delas, muito pelo contrário. Tenho saudades das atitudes de Bassete, Jacó, Larose, Bitchão e dos antigos conselheiros que me consideravam “persona non grata”.

 

  1. POR isso e muito mais, tenho a pretensão de exigir dos atuais cartolas do Rio Branco que achem uma maneira de evitar o rebaixamento à 4.a Divisão. Não sei como, mas se estão nos cargos de comando, que sejam os responsáveis.

 

jujensen@vox90.com