O Rio Branco, de Americana, completa hoje 104 anos de vida. Ou melhor, se sobrevivência. Parte integrante da história da cidade, o clube viu, nos últimos anos, quase toda a população virar as costas para suas necessidades. Por isso, não há o que comemorar, com exceção de detalhes do passado e atos heroicos isolados de alguns no presente. Ao ver, ontem à noite, no Jornal Nacional, os números astronômicos da transferência de Neymar do Barcelona para o Paris Saint-Germain, senti a realidade do buraco sem fim entre os dois mundos. O que se pode pagar, hoje, para os que vestem com raça a camisa do Rio Branco não deve passar de R$ 3 mil ou R$ 4 mil por mês.

Nenhum comerciante ou empresário tem obrigação com o Tigre. Em dias difíceis, épocas de crise, não dá para exigir apoio, patrocínio, parceria, dinheiro. Mas, sem tudo isso, como sobreviver? Como pagar, honrar compromissos, viajar, treinar, uniformizar, organizar, promover, tratar, sem o menor recurso financeiro? Confesso que não entendo qual mágica faz a diretoria. A entidade-mãe do futebol paulista é meio madrasta do Rio Branco. Retém cotas, cobra exames anti-doping, arbitragem, obras no estádio e taxas de registro. Em troca, dá o que? Hoje o clube disputa, sem muito compromisso, apenas por laboratório mesmo, a Copa Paulista. Mas, em breve, na segunda metade de novembro, começam os preparativos para um torneio sério, pesado e importante – a 3.a Divisão.

O Tigre foi bem nela este ano, mas não conseguiu o acesso à Série A-2 do Campeonato Paulista. Tentará de novo a partir de janeiro. Por isso, precisará de reforços, jogadores um pouco mais renomados, tarimbados e com espírito de guerra. Mas, sem dinheiro de patrocinadores, como será possível? Com cotas da Federação retidas por causa de antigos processos trabalhistas, de que jeito os dirigentes resolverão?

Hoje, como em quase todos os dias, passarei de novo em frente à sede derrubada para nada. Virão à lembrança os bons tempos do grande clube social. O que resta hoje é o futebol. Daí o apelo a quem possa colaborar, de qualquer maneira, para que o Tigre chegue aos 105 anos em 2018.

(Ju Jensen é jornalista – jujensen@vox90.com)